O Comitê de Política Monetária (Copom) funciona no âmbito do Banco Central do Brasil e tem entre suas atribuições estabelecer diretrizes para a política monetária e definir a taxa básica de juros. O Comitê pode regular a liquidez da economia por meio dos instrumentos de política monetária.
Na prática, a decisão sobre juros é expressa como uma meta para a taxa Selic, que vigora durante o intervalo entre reuniões ordinárias. Conhecer a composição do Comitê e o calendário de suas divulgações ajuda o leitor a acompanhar como essa decisão é tomada e comunicada.
O que é o Copom?
Os objetivos formais do Copom são implementar a política monetária, definir a meta da taxa Selic e seu eventual viés, além de analisar o Relatório de Inflação.
A Selic é a taxa média dos financiamentos diários com lastro em títulos federais, apurada no Sistema Especial de Liquidação e Custódia. A meta definida pelo Comitê vale durante o período entre reuniões ordinárias.
Quem decide?
São membros do Copom o presidente do Banco Central, que também preside o Comitê e tem voto de qualidade, e os integrantes da Diretoria Colegiada. As áreas da diretoria são:
- Administração (Dirad)
- Política Econômica (Dipec)
- Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos (Direx)
- Fiscalização (Difis)
- Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural (Diorf)
- Política Monetária (Dipom)
- Regulação (Dinor)
- Relacionamento Institucional e Cidadania (Direc)
Chefes de departamentos do Banco Central participam das reuniões ordinárias, assim como consultores, o secretário-executivo da diretoria, o coordenador do grupo de comunicação institucional e o assessor de imprensa da presidência.
Com que frequência o Copom se reúne?
Cada reunião ordinária se divide em duas sessões: a primeira ocorre às terças-feiras e a segunda, às quartas-feiras. As reuniões eram mensais desde 2000; a partir de 2006, passaram a ocorrer oito vezes por ano. O calendário anual é divulgado até o fim de junho do ano anterior.
Como é uma reunião?
- Primeiro dia: chefes de departamento e o gerente-executivo de Relacionamento com Investidores apresentam uma análise da conjuntura doméstica. Entre os temas estão inflação, nível de atividade, agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, câmbio, reservas internacionais e mercado monetário. A análise também inclui expectativas para variáveis como câmbio, inflação, juros e dívida pública.
- Segundo dia: Participam os membros do Comitê e, sem direito a voto, o chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas. Após a análise das projeções atualizadas para a inflação, os diretores de Política Monetária e de Política Econômica apresentam alternativas para os juros de curto prazo e fazem recomendações sobre a política monetária.
- Votação: os demais integrantes fazem suas ponderações e podem apresentar propostas alternativas. As propostas são votadas e, sempre que possível, busca-se o consenso.
- Divulgação: A decisão sobre a meta para a Selic e sobre eventual viés é comunicada à imprensa logo após a reunião. Um comunicado também é expedido pelo Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen).
O que é o viés?
O viés indica uma tendência de elevação ou de queda dos juros. Entre reuniões ordinárias, o presidente do Banco Central pode alterar a meta para a Selic na direção do viés.
Quando saem as atas e os relatórios?
As atas em português são divulgadas às 8h30 da quinta-feira da semana posterior à reunião, dentro do prazo regulamentar de seis dias úteis. Elas são publicadas no site do Banco Central, na seção “Notas da Reunião do Copom”, e enviadas à imprensa. A versão em inglês sai cerca de 24 horas depois.
Ao fim de cada trimestre civil — em março, junho, setembro e dezembro —, o Comitê publica o Relatório de Inflação em português e inglês. O documento analisa a conjuntura econômica e financeira do país e apresenta projeções para a inflação.
Como funciona a meta de inflação?
Após a adoção do sistema de metas para a inflação em junho de 1999, as decisões do Copom passaram a ter como objetivo cumprir as metas definidas pelo Conselho Monetário Nacional. Se uma meta não for atingida, cabe ao presidente do Banco Central divulgar uma Carta Aberta ao ministro da Fazenda, explicando os motivos, as providências a serem adotadas e o prazo para a inflação retornar aos limites estabelecidos.
De onde vem o modelo atual?
O Copom foi criado em junho de 1996 para definir diretrizes de política monetária e a taxa básica de juros. A criação buscou dar mais transparência e estabelecer um rito para as decisões, com referência a estruturas semelhantes adotadas pelo Federal Reserve dos Estados Unidos e pelo banco central alemão. O Banco da Inglaterra instituiu um comitê de política monetária em 1998, e o Banco Central Europeu adotou estrutura semelhante desde a criação da moeda única, em 1999.
Antes de passar a divulgar a meta para a Selic, o Copom fixava a Taxa Básica do Banco Central (TBC), até março de 1999.
Perguntas frequentes
O que é o Copom?
É o comitê do Banco Central que implementa a política monetária, define a meta da taxa Selic e analisa o Relatório de Inflação. Ele foi criado em junho de 1996.
Quem vota nas decisões do Copom?
Votam os membros do Comitê, formado pelo presidente do Banco Central e pelos integrantes da Diretoria Colegiada. O presidente também preside o Copom e tem voto de qualidade.
Quantas reuniões o Copom faz por ano?
Desde 2006, são oito reuniões ordinárias por ano, e o calendário anual é divulgado até o fim de junho do ano anterior.
Quando saem as atas do Copom?
As atas em português são divulgadas às 8h30 da quinta-feira da semana posterior à reunião, dentro do prazo regulamentar de seis dias úteis.
Informações conferidas em 6 de novembro de 2026.
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